Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009
Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
Seminários Realizados:
Sessão I: Apresentação pública das linhas gerais do projecto, por Adelino Cardoso (FLUL, 2007);
Sessão II: Neuroética, por João Lobo Antunes (FLUL, 2007);
SessãoIII: Emergência histórica da Biotecnologia, por José Luís Garcia (FLUL, 2007).
Sessão IV: Ser humano integrado, por Maria Burguete (FLUL, 2008);
Sessão V: Personne et affectivité. Dialogue avec des psychotérapies humanistes, por Rolf Kühn em seis sessões (ICS-UL, 2008) :
- L’enjeu phénoménologique et phénoménologie de la Vie ;
- Radicalité passible et commencement pratique pur ;
- L’Individuation comme intensité affective originaire ;
- Corporéité et vie charnelle ;
- Regard clinique et communauté intro-pathique ;
- Crise de la culture et vie culturelle.
Sessão VI : A invenção do organismo, por Adelino Cardoso (FLUL, 2008);
Sessão VII: Los derechos de los pacientes: el consentimiento informado, por Javier Garcia Valladolid (FLUL, 2008);
Sessão VIII: A interpretação zubiriana de Leibniz, por Sergio Rodero (FLUL, 2008);
Sessão IX: Processo e morfogénese: sobre a onto-fenomenologia de I. Kant e W. James, por Paulo de Jesus (FLUL, 2008).
Filosofia e Medicina
A especificidade da medicina no campo dos saberes revela-se, desde logo, no modo como ela se relaciona com a sua história e com as tradições locais. De facto, o progresso extraordinário da medicina desde o início do século XIX - a que não é alheia a fundação do hospital - não tira interesse a procedimentos e representações médicos tradicionais. Diferentemente de outros saberes, o vínculo entre tradição e inovação é congénito à ciência moderna, residindo aí um ponto de afinidade entre filosofia e medicina. Essa afinidade é ainda mais estreita ao nível da problematicidade imanente ao saber médico e ao seu exercício. O médico confronta-se com o sentido de fenómenos anómalos, que perturbam o curso normal da natureza, a perfeição do ser afectado. Tais fenómenos são intrinsecamente inteligíveis ou são inteiramente refractários à ordem natural? Tal afecção, que se manifesta de um modo único, é um fenómeno isolado ou um caso singular que evidencia uma ordem regular no dinamismo da physis? A natureza tem a capacidade de curar a afecção pelo seu poder regenerador ou exige-se a intervenção de algum agente exterior para aperfeiçoar e restabelecer a natureza? Em que medida é que a ambiência exterior influencia os estados, mormente patológicos, do sujeito? Qual a relação entre a parte afectada, o organismo na sua globalidade e o ser total do paciente? A qualidade da relação médico-doente contribui para a eficácia do acto médico? Qual a boa conduta do médico em face do doente? Em que medida e sob que forma é que a doença afecta a identidade do seu portador? Qual o significado humano e cultural da doença? De que modo é que ela é assimilada e integrada na experiência do eu? Como se ajustam técnica e natureza? O médico perfeito é um homem prudente, com um apurado sentido da medida, que sabe distinguir o possível do impossível, ou alguém que confia no progresso ilimitado da técnica e da arte? A doença acompanha forçosamente o curso da existência humana ou pode-se erradicá-la actuando sobre as predisposições desde a formação do embrião?Em síntese, a medicina levanta questões de inteligibilidade no que respeita ao estatuto do saber médico, à necessidade ou contingência das patologias, ao modo de articulação entre o global e o local, o singular e o universal, a ordem e a desordem. Trata-se de questões genuinamente filosóficas, que importa submeter ao crivo da razão filosófica.
Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
Apresentação
Objectivos do Projecto: aprofundar o vínculo entre Filosofia e Medicina. Determinar a especificidade da Medicina no âmbito dos saberes. Apurar em que medida a qualidade da relação médico-doente interfere na eficácia do acto médico. Evidenciar a relevância da filosofia na obra de alguns médicos (Sanches, Glisson, Stahl, Pinel e Claude Bernard). Perspectivar os debates e controvérsias mais relevantes no interior da medicina e entre médicos e filósofos (ex. debate sobre a astrologia judiciária, entre Descartes e Regius, entre Leibniz e Stahl, o debate sobre a anestesia na primeira metade do século XIX). Determinar o significado da fundação do hospital no início do século XIX. Caracterizar o ethos médico e analisar as questões fundamentais que estão em debate hoje no domínio da bioética.
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