segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Natureza e Causalidade em Malebranche

Próximo Seminário do Projecto: Natureza e Causalidade em Malebranche
por Adelino Cardoso

Convidamos todos os interessados a assistir e participar na 6ª sessão do Seminário Permanente "O conceito de natureza no pensamento médico-filosófico na transição do século XVII ao XVIII", que vai realizar-se no dia 20 do corrente mês de Setembro, pelas 17.30 na sala 1.05 do Edifício ID, 1º piso (Av. de Berna, 26, Lisboa). A sessão estará a cargo de Adelino Cardoso que tratará o tema Natureza e Causalidade em Malebranche.

  Resumo: Nicolas Malebranche (1638-1715) elaborou um sistema filosófico original, que opera a inversão das teses cartesianas fundamentais: evidência do cogito, mathesis universalis, inatismo das ideias. No que respeita à inteligibilidade da natureza, Malebranche releva os conceitos de ordem e regularidade, ao mesmo tempo que inaugura o debate moderno em torno da causalidade. A teoria ocasionalista, de que o sistema malebrancheano fornece o quadro de inteligibilidade, significa que os fenómenos naturais obedecem a relações de concomitância perfeitamente estabelecidas, mas sem que exista verdadeira causalidade. 

Adelino Cardoso, investigador auxiliar do Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa, traduziu as Meditações Cristãs e Metafísicas de Malebranche, a cujo sistema dedica especial atenção, no confronto com outros sistemas filosóficos do século XVII.

sábado, 30 de junho de 2012

"Hospitais, Medicina e Sociedade (séc. XVI-XX)"



Inscrições: Entrada gratuita mas inscrição obrigatória para lfsa@uevora.pt

Local: Edifício ID, Sala Multiusos 2, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Av. de Berna, 26, 4º piso, Lisboa)


Programa

6 de Julho 2012

9:30—Recepção

Sessão I - Doenças e doentes no hospital (I)

Moderador: Laurinda Abreu

10:00 Los cuidados hospitalarios a los enfermos de mal francés en la Europa renacentista: el Hospital Real de Todos-os-Santos de Lisboa

Jon Arrizabalaga (CSIC-IMF Barcelona)

10:20 La atenciòn hospitalaria de los pacientes con polio en España (1929-1975)

María Isabel Porras (Fac. Medicina de Ciudad Real/UCLM); María José Báguena (IHMC/Univ. de Valencia-CSIC) e Jaime de las Heras (Fac. Medicina de Ciudad Real/UCLM)

10:40 Hospital Aristides Maltez: o câncer como questão social na Bahia (1930-1950)

Christiane Maria Cruz de Souza (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, Núcleo de Tecnologia em Saúde)

11:20 Debate

11:40 Pausa para café

Sessão II - Doenças e doentes no hospital (II)

Moderador: Adelino Cardoso

11:50 Projetos de assistência à infância no Rio de Janeiro: sensibilidades, olhares e realizações

Gisele Sanglard (COC/Fiocruz/Universidade Severino Sombra) e Caroline Amorim Gil ((PIBIC FIOCRUZ/UFRJ) )

12:10 La puesta en marcha de un hospital de coléricos: Tudela, 1885

Pilar Sarrasqueta and Pilar Leon-Sanz (Fac. Medicina/Universidade de Navarra)

12:30 Hospital de Crianças da Bahia: medicina, filantropia e assistência à infância (1920-1930)

Maria Martha de Luna Freire (Instituto de Saúde da Comunidade/Universidade Federal Fluminense)

12:50 Debate

13:00 Almoço

Sessão III - Profissões médicas e assistência hospitalar (I)

Moderador: José Pedro Sousa Dias

14:30 Formação profissional e assistência médica no Hospital de Todos os Santos (séculos XVI-XVIII)

Laurinda Abreu (Universidade de Évora–CIDEHUS)

14:30 Medicina, profissões e gênero: o ensino da obstetrícia nas enfermarias do Hospital São José (séc. XIX)

Renilda Barreto (Centro Federal de Educação Tecnológica, Celso Suckow da Fonseca)

15:10 Hospital Real de Todos os Santos – (re)pensar histórias: enfermeiros e ajudantes

António Pacheco (CHAM - UNL - UA)

15:30 As “mulheres de má vida”, trabalhadores e médicos, entre a reclusão sanitária e a assistência médica: da Casa Pia ao Hospital de São José (1780-1800)

Christelle Monserrate (doutoranda Universidade de Évora/CIDEHUS

15:50 Debate

16:00 Pausa para café

Sessão IV - Profissões médicas e assistência hospitalar (II)

Moderador: Palmira fontes da Costa

16:20 O tratamento dos doentes insanos de Vila Viçosa no Hospital de Rilhafoles

Marta Lobo Araújo (Universidade do Minho)

16:40 Entre o modelo do Hospital de Todos os Santos e a prática quotidiana do Hospital de Espírito Santo de Évora (séculos XVII-XVIII)

Rute Pardal (doutoranda /Universidade de Évora/CIDEHUS)

17:00 Profissões médicas no Portugal Moderno: uma base de dados em construção

Alexandra Marques, Luís Carlos Gonçalves (bolseiros projecto (PTDC/HIS-HIS/113416/2009))

17:20 Debate

17:30 Pausa para café

Sessão V - Do Hospital de Todos os Santos à Colina da Saúde

Moderador: Renilda Barreto

17:50 “Desacumular” ou descentralizar o São José ? : a complexa recomposição da oferta hospital em Lisboa no século XIX

Françoise Salaun (CRESC)

18:10 O percurso do ensino médico na Colina da Saúde

Madalena Esperança Pina (Fac. de Ciências Médicas
UNL, CEHFCi )

18:30 Os parentes pobres da nova Medicina: O ensino da Farmácia, a Escola Médica de Lisboa e o Hospital de São José (1836-1902)

José Pedro Sousa Dias (Fac. Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL) e Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência (CEHFCi)

18:50 Pausa para café

19:00 Mercês régias e outras doações: os juros e as tenças no orçamento do Hospital de Todos os Santos

Rute Ramos, (doutoranda /Universidade de Évora/CIDEHUS)

19:20 Humor e Medicina

Nuno Augusto Alberto de Miranda (IPO)

19:40 Debate


7 de Julho 2012

Sessão VI - Medicina e Cultura

Moderador: Jon Arrizabalaga

10:00 O papel dos cuidadores em O Médico Político de Rodrigo de Castro

Adelino Cardoso (CHC, Universidade Nova de Lisboa)

10:20 Du bon usage de l'hôpital

Christian Hervé (Université Paris-Descartes)

10.:40 Debate

11:00 Pausa para café

11:20 A prática atual da Medicina: Uma dicotomia de contradições que importa descodificar

José M. Poças – (Hosp. S. Bernardo, Setúbal)

11:40 Os Livros e as Artes do Corpo em Portugal no século XVIII

Bruno Barreiros, Hélio Pinto, Palmira Fontes da Costa, (Fac. de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa)

12:00 Debate

14:00 Visita ao Hospital de S. José

(Drª Célia Pilão-Centro Hospitalar de Lisboa Central)



Proposta para este seminário, organizado pelo Instituto de Investigação e Formação Avançada da Universidade de Évora, o CIDEHUS, o CHC e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa:

A relação do hospital com a medicina e a sociedade tem evoluído significativamente ao longo dos séculos. As transformações dizem respeito não só à função mas ao significado da instituição hospitalar.

Partindo de novas abordagens às questões médico-assistenciais, pretende-se analisar práticas, representações e modos relação dentro do espaço hospitalar. Concomitantemente, prestar-se-á atenção aos destinatários dos cuidados hospitalares e aos muros do hospital, que podem visar a protecção de camadas fragilizadas da população ou, em circunstâncias históricas diferentes, proteger a comunidade exterior do contágio mórbido ou de condutas desviantes. A estruturação das profissões médicas, dentro e fora dos hospitais, e a construção social do conhecimento e do discurso médico serão igualmente temáticas a explorar.

Do ponto de vista metodológico, visa-se cruzar diferentes olhares e leituras sobre temas comuns ou que se complementam, desde as vertentes mais administrativas e normativas ao contexto mental e cultural, atendendo às constantes durante períodos mais ou menos longos e aos momentos de transição, em que se operam transformações súbitas e irreversíveis.

Projectos FCT:


- Decisão política, necessidades colectivas e afirmação profissional: o Hospital de Todos os Santos em perspectiva (PTDC/HIS-HIS/113416/2009)


- O conceito de natureza no pensamento médico-filosófico na transição do século XVII ao XVIII (PTDC/FIL-FCI/116843/2010)

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Próxima sessão de Seminário:  "Médecine, philosophie et pensée de l'homme dans l'oeuvre de Thomas Willis" 

A próxima sessão do Seminário Permanente "O conceito de natureza no pensamento médico-filosófico na transição do século XVII ao XVIII" realizar-se-á já no próximo dia 21 de Junho, quinta-feira, pelas 17h, na sala Multiusos 2 do Edifício ID (Av. de Berna, 26, 4º piso). Claire Crignon apresentará um trabalho sobre "Médecine, philosophie et pensée de l'homme dans l'oeuvre de Thomas Willis", que será seguido de debate.
A Entrada é livre e isenta de inscrição.

Claire Crignon:
Docteur en Philosophie
Maître de Conférences philosophie anglaise classique, Université Paris-Sorbonne (Paris IV)
Co-responsable du projet ANR PHILOMED
Membre associé CERPHI (Centre d'Etudes en Rhétorique, Philosophie et Histoire des Idées).








terça-feira, 17 de abril de 2012

Próximo Seminário do Projecto: "Uma epístola de Martinho de Mendonça sobre o conceito de natureza: a Carta-Prefácio ao 1º vol. da Historiologia Médica de José Rodrigues de Abreu (1734)".

Assinalamos que decorrerá no próximo dia 26, quinta-feira, das 16 às 18h, na sala 1.06 (1º andar) do Edifício ID, Av. de Berna nº 26, o terceiro seminário do Projecto «sobre a ideia de natureza nos séculos XVII-XVIII». A sessão será conduzida por  Luís Bernardo, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL, que apresentará um trabalho (seguido de debate) sobre: "Uma epístola de Martinho de Mendonça sobre o conceito de natureza: a Carta-Prefácio ao 1º vol. da Historiologia Médica de José Rodrigues de Abreu (1734)".

A entrada é livre e isenta de inscrição prévia.  

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Próximo Acontecimento: Sessão do Seminário Permanente "O Conceito de Natureza no Pensamento Médico-Filosófico na Transição do Século XVII ao XVIII". 

No próximo dia 7 de Março, entre as 17.30 e as 19.30, na sala 0.07 do edifício ID, Av. de Berna, nº 26 (sala do lado direito no piso de entrada) Manuel Silvério Marques apresentará um trabalho, seguido de debate, cujo objecto será "O atomismo, a alucinação e a construção científica da realidade".

A entrada é livre e não é necessário inscrição.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Projecto sobre o Conceito de Natureza

Título:O conceito de natureza no pensamento médico-filosófico na transição do século XVII ao XVIII

Palavras-chave: natureza, ordem, organização, inteligibilidade, corpo, mecanismo

Sumário: Este projecto vem na continuidade do projecto “Filosofia, Medicina e Sociedade”, incidindo sobre um âmbito restrito. A base da equipa de investigação vem desse projecto, nomeadamente Adelino Cardoso, Guido Giglioni e Manuel Silvério Marques, Palmira Costa, Maria Luísa Ribeiro Ferreira, Paulo de Jesus e Bruno Barreiros, aos quais se acrescenta Anne-Lise Rey, com quem foi já iniciada a colaboração, no âmbito de uma das tarefas incluídas no projecto aqui apresentado. A equipa é reforçada nomeadamente por investigadores com bolsas de doutoramento e pós-doutoramento (Hervé Baudry, Raphaële Andrault, Francisco Silva, Alessandra Costa Pinto) e por investigadores exercitados no trato com a matéria em causa (Marta Mendonça) e na Itália (Nunzio Alloca).

Visa-se aprofundar a articulação entre filosofia e medicina a propósito de um conceito nuclear, que está no cerne da racionalidade moderna e cujo âmbito abarca por igual a ordem geral do cosmos e os diferentes planos fenoménicos. De facto, natureza significa ordem, regularidade, inteligibilidade.

O período escolhido é aquele que decorre entre a publicação do Tractatus de homine, de Descartes, em 1664 pelo médico e filósofo La Forge e a morte do mais influente professor de medicina da primeira metade do século XVIII, Hermann Boerhaave, em 1738. Trata-se de dois marcos, porquanto o Tratado cartesiano é emblemático do intento de aplicar o mecanicismo à abordagem anátomo-fisiológica do corpo humano e a morte de Boerhaave significa a passagem a um novo ciclo que, simplificando muito, podemos designar como medicina do iluminismo em que a representação mecanicista é integrada numa visão da natureza como sensibilidade e perfectividade.

A hipótese orientadora do trabalho é a de que, no decurso do período escolhido, há um contributo específico do pensamento médico-filosófico para a focagem da noção de natureza, da sua eficácia e da explicação dos seus fenómenos. Tal contributo decorre da especificidade do corpo humano vivo, que revela a insuficiência do modelo mecanicista. De facto, a medicina é um campo privilegiado em que se desenvolve o programa mecanicista, mas também onde este programa revela maiores dificuldades e suscita um debate mais intenso. Sob este aspecto, a obra emblemática da iatromecânica, De motu animalium (1680) de G. B. Borelli, é muito significativa: o intento de incluir a medicina no âmbito fisico-matemático, ao mesmo título que a astronomia (Op. cit., proemium) é acompanhado, aí, pela afirmação da causalidade da alma sobre o movimento corporal, afirmação que será acentuada por J. Bernoulli num anexo à segunda edição da obra.

A literatura médico-filosófica subsequente à publicação do Tratado cartesiano defronta-se com a temática da causalidade, uma vez que o mecanicismo tende a eliminar a espontaneidade e dinamismo da natureza. O confronto dá-se especialmente entre ocasionalistas como Cordemoy e Malebranche, por um lado, e naturalistas como F. Glisson e R. Cudworth, por outro. Os primeiros destituem a natureza de toda a potência e causalidade, ao passo que os segundos concebem a natureza como princípio imanente de acção.

A visão mecânica da natureza requer um novo olhar, que reconheça o lado activo e a dimensão estético-moral da natureza e do corpo humano. A obra de R. Boyle, nomeadamente De ipsa natura (1688), elaborada na perspectiva do “fisiólogo”, opera uma síntese coerente entre mecanismo e vitalidade da natureza.

A obra médica de Boerhaave é representativa da orientação predominante nas primeiras décadas do século XVIII no sentido de articular a explicação mecanicista com o legado vesaliano, que releva a dimensão estética da natureza, e mesmo com a tradição hipocrática, que confere à natureza o estatuto de princípio fundador da medicina. O assumir da história como parte integrante do saber médico é uma das inovações de Boerhaave e da medicina do seu tempo.

Ao nível da representação do corpo, a corrente fibrilista fornece uma imagem do corpo que abre uma brecha profunda no sistema humoralista e vai inspirar a fisiologia das Luzes, nomeadamente a de A. von Haller. A obra de Baglivi merece uma atenção especial por uma nova compreensão da vida enquanto equilíbrio de motus e sensus (BAGLIVI, Opera, 1714: 259), reconhecendo o primado da função e introduzindo a irritabilidade (irritatio) como propriedade intrínseca do corpo vivo.

No plano conceptual, a inovação mais relevante foi a introdução do neologismo “organismo” por Leibniz e Stahl na primeira década do século XVIII. A controvérsia entre ambos decorre em larga medida de uma diferente articulação entre organismo e mecanismo e a uma concepção diferente sobre a potência e causalidade da natureza.

No que respeita à medicina portuguesa deste período, em larga medida por estudar, colocam-se duas questões solidárias: qual a sua especificidade e em que medida acompanhou o movimento intelectual da medicina europeia ( nomeadamente em autores como Isac Cardoso, Curvo Semedo, Brás Luis de Abreu, Jacob de Castro Sarmento, Bernardo Pereira) sobre a natureza e suas propriedades.
No plano metodológico, procurar-se-á inscrever a literatura médica na dinâmica da ciência moderna, indagando a especificidade do pensamento médico; evidenciar-se-á a tensão/articulação entre o mecânico e o vital; prestar-se-á atenção às afinidades conceptuais (natureza, ordem, organização) e às polaridades que alimentam o discurso sobre a natureza: natureza / arte, natureza / sobrenatureza; ordem / anomalia.